Antes da eleição, Gustavo precisa vencer a si mesmo

O que o prefeito enxerga como símbolo auspicioso de novos tempos pode também ser visto como marca indelével de inaptidão e malfeito.

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Apesar do imobilismo dos adversários, antes da eleição de 2024 Gustavo Perissinotto tem um grande desafio: precisa vencer a si mesmo! Eleito em 2020 para a prefeitura de Rio Claro com pouco mais de 30% dos votos válidos – menor percentual em mais de três décadas -, nesse período que antecede a sucessão municipal o aludido pragmatismo do prefeito será colocado à prova.

Em contraposição à propalada influência exercida pela máquina administrativa, na maioria das vezes estar concorrendo a uma reeleição é uma desvantagem eleitoral. Com Gustavo não é diferente, mesmo tendo sido beneficiado até aqui pela ausência de oposição e uma Câmara Municipal passiva, o que lhe permitiu repetir à exaustão velhas cantilenas tipo “estamos arrumando a casa” e “preparando Rio Claro para o futuro”.

Com apoio dos vereadores, contratou empréstimo de mais de R$ 70 milhões. Agora, precisa entregar serviços de qualidade que façam jus ao que ele mesmo chama de “maior programa de zeladoria da história do município”. Criou e regulamentou centenas de cargos de livre nomeação, com os quais acomodou compromissos de campanha e abrigou novos aliados em nome da governabilidade. Agora, precisa ter coragem para depurar a própria máquina administrativa, tendo em mente os ensinamentos de Maquiavel que alertava para o perigo da dependência de tropas mercenárias, via de regra instáveis e pouco confiáveis.

Doravante Gustavo corre contra o tempo e será cobrado cada vez mais com maior intensidade para que seja o prefeito do presente, não de um futuro sempre prometido mas que aos olhos do rio-clarense se mostra inatingível. Sua capacidade de dar respostas rápidas a problemas prementes do cidadão pagador de impostos estará em xeque.

Gustavo investe – e muito! – em publicidade e propaganda institucional com o objetivo de construir a imagem de “uma boa gestão” na esperança, é claro, de que o eleitor rio-clarense o recompense com mais votos. Mas isto por si só não basta. É insuficiente e pode até ter efeito contrário diante do caldeirão de variáveis e emoções que borbulham em uma eleição, especialmente numa época de tanta polarização política em que as narrativas, tanto de vencedores como de vencidos, se estabelecem como verdades conflitantes.

Neste contexto, apesar das incertezas em relação aos ex-prefeitos Du Altimari e Juninho da Padaria e da posição ainda enigmática do vice-prefeito Rogério Guedes, no horizonte da sucessão municipal não se vislumbra para Gustavo um céu de brigadeiro.

No tempo que lhe resta, Gustavo deve confrontar-se a si mesmo. Rever conceitos e convicções. Afinal, o que ele entende como virtude pode ser percebido como pecado; o que enxerga como símbolo auspicioso de novos tempos pode ser visto como marca indelével de inaptidão e malfeito. Principalmente quando se está à frente de um governo politicamente ambíguo, que se equilibra na corda bamba sob risco de ser estilhaçado pelo pêndulo da polarização.

Filósofo da China Antiga, Lao-Tsé ensina que: “Quem conhece os outros é inteligente. Quem conhece a si mesmo é iluminado. Quem vence os outros é forte. Quem vence a si mesmo é invencível”.

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