Como tiktoker, Tiemi Nevoeiro se mantém refém do passado

Com performance voltada às redes sociais, vereadora tenta evitar que as expectativas criadas sobre ela na eleição passada não sejam o caminho mais curto para frustrações futuras.

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Única vereadora da Câmara de Rio Claro, Tiemi Nevoeiro apresenta comportamento errático e por vezes descomedido, atua em plenário como uma tiktoker e se mantém refém do passado, o que contrasta com as expectativas criadas por quem emergiu das urnas como uma eventual resposta à frustração de eleitores desiludidos com a política.

O pugilato verbal travado por Tiemi com o líder do governo Gustavo na Câmara, Serginho Carnevale, na última sessão legislativa, chamou a atenção pela virulência imprimida pela vereadora que, em contragolpe, recebeu uma resposta firme e irrefutável do vereador colocando fim ao embate com um nocaute técnico e moral.

Motivo da investida descomedida: uma simples menção pelo vereador a um pedido de empréstimo enviado à Câmara (e não aprovado) durante a terceira e última gestão do ex-prefeito Nevoeiro Junior, pai da vereadora.

Semana sim e outra também, Tiemi dedica boa parte de suas intervenções em plenário para manifestar um incontido saudosismo e reverenciar os feitos das três gestões de seu pai à frente da prefeitura. Com isso, reduz as perspectivas de um futuro melhor para a cidade ao impossível retorno a um passado que, em sua visão, era irretocável.

Ao mesmo tempo em que dá vazão à sua faceta tiktoker com performances estridentes em busca de likes, Tiemi – que preside a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara – demonstra desapego à prudência ao se expor como aliada à radioatividade irradiada pelo deputado estadual Lucas Bove (PL), indiciado pela Polícia Civil de São Paulo por suspeita de violência psicológica e stalking contra a influenciadora digital e ex-esposa, Cíntia Chagas – clique AQUI.

O comportamento errático é outra marca da curta e imatura trajetória de Tiemi no Legislativo. Exemplo mais recente é o envio de ofício ao presidente da Câmara José Pereira e ao vereador Hernani Leonhardt, presidente da Comissão Processante que tem como alvo o vereador Moisés Marques, externando preocupação com a continuidade das investigações. Isto, após ter abdicado da possibilidade de integrar a CP, o que lhe garantiria conhecer a fundo a denúncia, requisitar documentos, interrogar testemunhas etc. Ou seja, essa iniciativa na reta final do processo investigatório soa apenas como um movimento de conveniência e oportunismo para ficar “bem na fita”, independente do desfecho da CP.

Aliás, conveniência e oportunismo não foram características do ex-prefeito Nevoeiro Junior. As vezes em que acertou ou errou foi por convicção, como na implementação da Parceria Público-Privada (PPP) do DAAE, que lhe custou uma reeleição tida como certa. Na criação do Estatuto do Magistério, que com o passar do tempo deu origem a uma casta de privilegiados na administração pública. E na instituição do regime próprio de previdência (IPRC), que concorre para a insolvência financeira dos cofres públicos.

“O passado serve para evidenciar as nossas falhas e dar-nos indicações para o progresso do futuro” – ensinava Henry Ford, empreendedor norte-americano e pioneiro da indústria automotiva.

A prosseguir como vereadora monotemática, produtora de conteúdos sem conteúdo e confinada ao passado, Tiemi abrirá mão da responsabilidade que lhe foi conferida pelo voto dos rio-clarenses e pela qual deve agir com efetividade para transformar o presente, que é resultado do passado e causa do futuro.

Neste sentido, Tiemi deveria refletir sobre o slogan “O FUTURO AGORA!”, criado (salvo engano) pelo cineasta Roberto Palmari para o primeiro governo (1977-1982) de Nevoeiro Junior.

Quem sabe assim consiga se libertar do passado, viver o agora e evitar que as expectativas criadas sobre ela na eleição passada não sejam o caminho mais curto para frustrações futuras.

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