O ex-prefeito de Cordeirópolis José Adinan Ortolan (MDB) e o empresário André Gonçalves Mariano, proprietário da empresa Life Educacional e que foi preso durante a “Operação Coffee Break”, estão sendo investigados pelo Ministério Público em Inquérito Civil instaurado em abril de 2019 e que apura dano ao erário decorrente de possível fraude em processo licitatório.
Sete anos antes de figurar no epicentro da “Operação Coffee Break”, deflagrada no último dia 12, pela Polícia Federal, dentro das investigações de um esquema de superfaturamento de contratos e pagamento de propina que bate às portas do Palácio do Planalto, pelo envolvimento da ex-mulher de um dos filhos do presidente Lula, a Life Tecnologia Educacional foi coadjuvante em outras denúncias de fraude em licitações públicas.
Em agosto de 2018, a empresa atualmente investigada por desvios milionários na venda de livros para as prefeituras de Hortolândia, Limeira, Morungaba e Sumaré, apareceu como parceira da Acruxx Soluções Inteligentes, de Santa Bárbara D’Oeste, na legitimação de negócios suspeitos que envolveram o fornecimento de programas de computador aos municípios de Cordeirópolis, Mococa e Bom Jesus dos Perdões.
A cidade de Cordeirópolis manteve contrato com a Acruxx durante a gestão do ex-prefeito José Adinan Ortolan entre 2017 e 2021. Informações disponíveis no Tribunal de Contas registram nesse período empenhos que totalizaram quase 1,6 milhão de reais.

Envolvimento da Life
Quando o Ministério Público detectou os primeiros indícios de irregularidades em Mococa e Bom Jesus dos Perdões surgiu o nome da Life Educacional, apontada em reportagem divulgada em agosto de 2018 pela EPTV Central como “empresa de fachada” que participava das licitações vencidas pela Acruxx – clique AQUI.
No mesmo mês – provavelmente por medo dos efeitos negativos das reportagens – a Acruxx mudou a razão social para Egbm Tecnologia da Informação na Junta Comercial do Estado de São Paulo.
Condenações
O trabalho do MP avançou e foram abertas duas ações civis públicas contra autoridades e empresários de Mococa e Bom Jesus dos Perdões – ambas ainda em andamento na Primeira Instância. Já no Tribunal Regional Federal da Terceira Região, uma ação criminal resultou na condenação, em junho de 2024, do ex-prefeito de Mococa, Wanderley Fernandes Martins Júnior, Ricardo Augusto Martignago (Acruxx/Egbm), André Gonçalves Mariano (Life), Márcio Curvelo Chaves, Paulo Sérgio de Oliveira e Roberto de Faria Júnior. Todos foram condenados a dois anos de detenção em regime aberto, com substituição da pena por prestação de serviços à comunidade ou entidade pública e pagamento de multa – clique AQUI.
Cordeirópolis
Agora, as atenções do MP estão voltadas a Cordeirópolis, onde tramita o Inquérito Civil 0243.0000369/2018 para apurar irregularidades no Pregão 27/2017, que resultou na contratação da Acruxx e cujo objeto à época era idêntico ao das cidades de Mococa e Bom Jesus dos Perdões, o que sugere que a própria empresa deve ter elaborado os editais.
Na lista de empresas e pessoas físicas mencionadas na representação, constam os nomes do ex-prefeito José Adinan Ortolan, Ricardo Augusto Martignago, André Gonçalves Mariano, Acruxx Soluções Inteligentes e Life Tecnologia Educacional.

Leia mais notícias sobre política de Rio Claro e Região no RC 8:32.











