Sob risco de cassação, Moisés se alia ao PL “denorex” de Rio Claro

Em momento crucial para o seu futuro político, vereador sinaliza para grupo dissidente do partido e pode estar se envenenando ao fazer uso do que considera um remédio para seu isolamento, mas não é.

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Em busca de apoio político na tentativa de afastar o risco de cassação de seu mandato pela Câmara de Rio Claro, o vereador Moisés Marques faz um movimento de alto risco ao se aliar ao PL “Denorex”, um grupo dissidente coordenado por Amanda Servidoni que tem por objetivo confrontar a direção partidária municipal legalmente constituída sob a presidência de Néia Garcia.

Alvo de uma Comissão Processante que investiga denúncia de quebra de decoro parlamentar e abuso de autoridade em fiscalizações nas unidades de saúde, Moisés Marques – na avaliação de alguns analistas políticos – mostra estar disposto a partir para o tudo ou nada sem medir consequências ao se juntar ao grupo que semeia a cizânia, justamente no momento em que deveria se dedicar a agregar.

Um dos mais recentes movimentos de Moisés ficou evidente no 7 de Setembro, durante a manifestação na Avenida Paulista em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro e pela anistia aos envolvidos nos atos de vandalismo ocorridos no dia 8 de janeiro de 2023 no Distrito Federal.

Com a intermediação de Amanda Servidoni, chefe de gabinete do ex-vice-prefeito Rogério Guedes (PL) durante quatro anos, o vereador apareceu ao lado de Valéria Bolsonaro, secretária de Políticas Para a Mulher do Estado de São Paulo. Amanda, a propósito, se apresenta publicamente como assessora parlamentar de Valéria na Assembleia Legislativa, embora a deputada estadual esteja licenciada da Alesp desde abril do ano passado.

Improvável até alguns meses atrás, a união entre Moisés e Amanda sinaliza para interesses específicos a objetivos comuns. Depois de perder sua mentora e parceira de projetos políticos Carla Zambelli, deputada federal condenada pelo STF e presa na Itália, o vereador precisa de novas alianças, principalmente nesse momento em que vive a incerteza do futuro na vereança e sob ameaça de inelegibilidade.

Pelo visto, também não engoliu até hoje o fracasso da manobra que intentou no final de fevereiro e início de março, quando assumiu a presidência da Comissão Executiva do PL por menos de uma semana. Rapidamente, foi defenestrado por Néia Garcia e Rogério Guedes, respectivamente, presidente e vice desde abril de 2024 – clique AQUI.

PL Denorex

Tomar o PL é, ao que tudo indica, o ponto de convergência entre Moisés e Amanda. Ela, por sinal, lidera uma dissidência na agremiação, apesar de nunca ter procurado a legítima direção partidária para qualquer conversa ou aproximação.

Em vez disso, prefere alimentar uma rede paralela para difundir uma suposta “verdadeira direita” ancorada em críticas a quem, de fato e de direito, possui legitimidade para representar o PL em Rio Claro.

Na década de 80, a propaganda de uma marca de shampoo viralizou no mercado brasileiro, tendo como bordão: “Denorex: parece remédio, mas não é”. O sucesso foi tanto, que se transformou num jargão popular aplicado nas situações diárias que ensejavam interpretações equivocadas sobre a originalidade de alguma coisa.

E assim é o PL Denorex. Amanda se diz assessora parlamentar, mas não é. Fala como representante do PL, mas não é. Por sua vez, Moisés pode pensar que essa união de conveniências é um remédio para o seu isolamento, mas não é.

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