O inverno está chegando… Só não vê quem não quer!

Desde 1º de janeiro, quando o prefeito Gustavo Perissinotto e os atuais vereadores tomaram posse, o número de mortes por covid em Rio Claro aumentou mais de 80% em relação a todo o ano passado.

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Por Marcos Abreu

O inverno está chegando… Só não vê quem não quer! Com mais de 460 mortes desde o início da pandemia, Rio Claro – a exemplo de tantas outras cidades – continua sendo um campo fértil para a disseminação da covid. Essa realidade causa apreensão ainda maior quando aquele que tem a responsabilidade de tomar as decisões necessárias vacila, posterga. Ou talvez, decide nada decidir!

O governante que quer deixar uma marca positiva toma decisões difíceis sempre que se mostrem necessárias. Nunca em causa própria. Sempre pensando coletivamente. Ao que parece, não é o caso do prefeito Gustavo Perissinotto (PSD). Pelo menos, em relação à adoção de medidas mais restritivas para contenção do coronavírus, que superlota os leitos destinados à covid nas redes pública e privada do município.

Em lives e entrevistas a imprensa chapa-branca, o prefeito até tem alertado para o recrudescimento da pandemia. Fala, mas não age. Opta, conscientemente, por aguardar até se ver obrigado enfim a agir premido por circunstâncias já fora de controle.

Enquanto isso, busca compensar a inação destacando o esforço feito pelo seu governo, que desde janeiro passado garantiu a compra de insumos e “ampliou em 95% o número de leitos para covid na rede pública”. Esse esforço – louvável, é claro! – não o exime do fracasso no manejo da pandemia, que também pode ser dividido com a ignorância e insensatez de grande parte da população.

Basta ver que do dia 1º de janeiro – quando Perissinotto e os atuais vereadores iniciaram seus mandatos – até agora, mais de 300 rio-clarenses perderam a vida para a covid. Esse número representa um crescimento de mais de 80% em relação ao total de mortes registradas em todo o ano de 2020, que somou 164 vítimas da doença.

Isso só reforça o que disse a infectologista e diretora da Vigilância em Saúde da Fundação Municipal de Saúde de Rio Claro, Suzy Berbert – “o leito em si não garante que a pessoa vá se recuperar da covid”. Ela já fez um apelo pela adoção de medidas mais rígidas de isolamento e prevenção.

O prefeito também costuma enaltecer o ritmo de vacinação, que estaria fazendo de Rio Claro uma referência para outras cidades. Contudo, o total de vacinas aplicadas corresponde a 33,73% da população vacinada com primeira dose e 14,4% também com segunda dose. Índices muito aquém dos 75% necessários (com segunda dose) para frear a disseminação do vírus e trazer um pouco de tranqüilidade.

Neste momento agudo e alarmante, como define a própria secretária municipal de Saúde Giulia Puttomatti, cabe ao município – e o prefeito tem autonomia para isso – tomar as medidas que se fazem necessárias para aumentar a taxa de isolamento. E, neste caso, a demora em agir pode custar vidas.

Mas o que esperar de uma cidade em que o prefeito se mostra reticente em tomar atitudes que contrariem interesses de grupos que o apoiaram na campanha? O que esperar de uma Câmara Municipal formada em sua quase totalidade por negacionistas enrustidos, contrários a medidas de isolamento e que defendem um inexistente tratamento precoce?

Um governante não pode ser tíbio. Um prefeito é eleito para tomar decisões. Ou toma as rédeas das circunstâncias, ou se torna refém da fatalidade.

O inverno está chegando! A frase que dá título a este artigo tornou-se famosa no seriado de sucesso “Game of Thrones”. Quando dita, além do sentido literal, podia também ser entendida como um prenúncio de adversidades e como um aviso: “fique alerta”, “fique vigilante”.

As autoridades de saúde do município têm alertado que os recursos necessários para atender a população estão cada vez mais escassos e que cada cidadão deve fazer a sua parte para preservar a sua saúde e a de quem está ao redor.

Assim, ao prefeito Gustavo Perissinotto cabe fazer a sua parte, abrir os olhos à realidade e ter coragem para colocar a preservação da vida acima de tudo.

Caso contrário, como dizia Meistre Aemon (GOT), “quando o inverno chegar, que os deuses nos ajudem se não estivermos prontos!”

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