Bolsonaro, Rio Claro e a eleição de 2024

Enquanto Lula e o ex-presidente trocam golpes e se retroalimentam do confronto, na Cidade Azul Gustavo Perissinotto e Rogério Guedes preferem “jogar parado”.

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O retorno de Bolsonaro dá início a um plano do Partido Liberal para conquistar ao menos mil cidades brasileiras nas eleições 2024 e Rio Claro pode ser uma delas.

Com isso, além das relações pessoais e dos interesses estritamente paroquiais, o cenário da sucessão municipal deverá ser fortemente impactado pelos desdobramentos das articulações desenvolvidas por lideranças regionais.

Em Rio Claro Bolsonaro conquistou mais de 70% dos votos válidos nas eleições 2022 e turbinou a votação dos candidatos do PL. Tanto é que dos dez deputados federais eleitos mais votados no município, sete são do partido.

O desempenho nas urnas não só reforça o perfil conservador do eleitorado rio-clarense, como faz a Cidade Azul ser vista como um terreno propício para construção de uma cidadela de centro-direita.

Essa perspectiva expansionista – reforçada com o retorno de Bolsonaro que projeta controlar 60% das prefeituras do país -pode fragilizar e colocar em risco o projeto de reeleição do prefeito Gustavo Perissinotto (PSD).

Até aqui o prefeito tem se mostrado eficiente na desarticulação da oposição, controle da Câmara Municipal e obtenção de recursos para mostrar serviço e vender o seu peixe na campanha. Porém, forças que não controla podem empurrá-lo em direção ao “buraco negro”, que engole as novas lideranças locais.

Por sorte (ou azar) de Gustavo, uma nuvem de incertezas paira sobre o futuro do vice-prefeito e vice-presidente do PL rio-clarense, Rogério Guedes, que vem emitindo sinais contraditórios sobre suas reais pretensões em relação à sucessão municipal.

A dubiedade é tanta que até mesmo a iniciativa de Rogério em estruturar os nanicos Democracia Cristã e PRTB no município, passou a ser vista com reticências por experientes analistas. Seria um “Plano B” para fazer valer um desejo pessoal em lançar-se candidato a prefeito ou uma alternativa para manter a dobradinha vitoriosa de 2020?

Ao contrário do ringue montado no cenário nacional onde o presidente Lula e Bolsonaro trocam golpes e se retroalimentam do confronto entre esquerda e direita, em Rio Claro Gustavo e Rogério adotam ao menos por ora a estratégia de “jogar parado”.

O tempo e as urnas dirão qual dos dois se beneficiará dessa estratégia, ou se a inércia cobrará o seu preço surpreendendo a ambos.

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